Quando não estás a fazer absolutamente nada, física ou mentalmente, quando toda a actividade termina e tu ficas presente, apenas a existir, chamamos isso de meditação. Não é algo que possa ser feito, nem é possível exercitar-se para isso: basta entender.

Sempre que encontrares um tempo para apenas ser, larga tudo o que estiveres a fazer. Pensar, concentrares-te ou contemplares também é fazer algo. Se por um único momento, não fizeres nada e estiveres voltado para dentro de ti, completamente relaxado, isso é meditação. Depois de aprendê-lo, será possível permaneceres nesse estado pelo tempo desejado ou até ficares assim 24 horas do teu dia.

A meditação não é contrária à acção, não requer que fujas da vida. Ela apenas te ensina uma nova maneira de viver, na qual tu te tornas o centro do ciclone. A vida continua, porém com mais intensidade, mais alegria, mais visão, mais criatividade, enquanto permaneces indiferente – um observador distante, vendo tudo o que acontece à tua volta.

Tu não és aquele que faz, e sim o observador. O segredo da meditação é tornares-te o observador. Observar é meditação. O que está a ser observado é irrelevante. Podes olhar as árvores, o rio, as nuvens, as crianças a brincarem ao teu redor ou qualquer outra situação. Observar é meditação. O que se observa não vem ao caso.

Lembra-te de uma coisa: meditação significa percepção. Tudo o que é feito de forma perceptiva é meditação. Não importa qual é a acção, e sim a qualidade dessa acção. Caminhar pode ser uma meditação, se caminhares atentamente. Sentar ou ouvir os pássaros pode ser uma meditação se te sentares ou ouvires atentamente. Escutar o ruído interior da tua mente pode ser uma meditação se estiveres atento, observando. Se não te moveres como se estivesses a dormir, tudo o que fizeres será meditação.

O mais importante é estares constantemente a observar, sem te esqueceres que estás observar… observando… observando. Pouco a pouco, conforme o observador se vai firmando, tornando-se mais estável, mais firme, uma transformação acontece. As coisas que ele observava desaparecem.

Pela primeira vez, o próprio observador torna-se aquele que é observado.

Chegaste a casa!

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